cineastas e suas obras

Camila de Moraes
Camila de Moraes é uma diretora negra conhecida por seu documentário “O caso do homem errado.”. A gaúcha de 33 anos é responsável por colocar um filme em cartaz dirigido por uma mulher preta após mais de três décadas, mostrando assim a importância da representatividade de uma classe que não aparece nas estatísticas de produção audiovisual.
O caso do homem errado (2018)
“Júlio César de Melo Pinto, o operário negro que foi executado em Porto Alegre pela Polícia Militar, nos anos 1980. A história do jovem é contada através de depoimentos como o de Ronaldo Bernardi, o fotógrafo que fez as imagens que tornaram o caso conhecido, o da viúva do operário, Juçara Pinto, e de nomes respeitados da luta pelos direitos humanos e do movimento negro no Brasil.” (fonte: adorocinema)
Brasil, 2018, Documentário, 1h10min.
O caso do homem errado é um documentário lançado em 2017 dirigido por Camila de Moraes, sendo um filme que busca retratar a brutalidade do estado para com a população preta no Brasil nos anos 80, que pode também ser alastrada para o presente sendo assim um filme que ainda se mantém contemporâneo.
O longa utiliza o recurso de relatos de pessoas que estiveram presentes na ação policial que resultou na execução de Júlio César, apresentando assim um entendimento mais concreto dos fatos acontecidos e na falsa justiça realizada pelo estado do Rio Grande do Sul. Ainda, potencializa os fatos com o uso de imagens de arquivo no encerramento do documentário.
Sendo um filme que busca mostrar como a população negra é sempre vista com suspeita na sociedade, a obra consegue evidenciar por meio do nosso imaginário e percepção que a realidade de quatro décadas atrás permanece até os dias atuais, onde Ághata, Evaldo e João não são casos isolados, mas sim constantes em nossa sociedade.
Texto: Elian Ferreira.

Anna muylaert
Anna Muylaert é uma diretora, roteirista e produtora. Estudou cinema na Escola de Comunicações e Artes da USP. Já trabalhou como roteirista em diversos programas do canal Tv Cultura como Castelo Rá-Tim-Bum (1994-1997) e Mundo da Lua (1991-1992). Em seus filmes, Anna Muylaert aborda, conflitos psicológicos das pessoas, desigualdade social e as transformações da vida em sociedades modernas. Dirigiu filmes como Durval Discos (2002); Que Horas Ela Volta (2015); Mãe Só Há Uma (2016).
Que horas ela volta? (2015)
“A pernambucana Val (Regina Casé) se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino (Michel Joelsas) vai prestar vestibular, Jéssica (Camila Márdila) lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica.” (fonte: adoro cinema).
Brasil, 2015, Drama, 1h52min.
O segundo longa-metragem da diretora Anna Muylaert com co-produção da Globo filmes traz nomes já conhecidos do cinema nacional como a protagonista Val, interpretada por Regina Casé, e a patroa Bárbara (Karina Teles). O drama retrata a vida estável que a empregada doméstica leva porém pouco independente. Essa falsa independência é ainda mais acentuada quando sua filha chega de Pernambuco para prestar vestibular e se depara com uma visão diferente a que tinha da mãe nas esporádicas visitas dela ao nordeste, a mesma mora no quarto dos fundos da casa dos patrões, casa essa que dedicou dez anos de sua vida. A casa de classe média alta no Morumbi é enfeitada de quadros coloridos feitos por seu proprietário e combina com os cenários da noite iluminada da metrópole paulistana acompanhando sua melhor face.
A pergunta que da titulo ao filme é dita tanto pelo filho da patroa, criado por Val, quanto por sua própria filha, que distante, indagava á que horas ela voltaria para junto de ti. Mesmo Val tendo criado o menino e ser considerada “praticamente” parte da família a doméstica não usufruía das mesmas áreas da residência ou de seu conforto mesmo morando no local em tempo integral. Isso se altera bruscamente quando Jessica não se sente menos que os empregadores da mãe e tem atitudes seguras causando estranhamento nos patrões que não esperam a atitude de uma simples filha de emprega, debochando em momentos da menina, quando ela diz querer estudar em uma renomada faculdade.
O filme traz ainda mais o distanciamento quando é focada sempre a porta da cozinha onde seria a separação entre empregado e empregador. Uma forte crítica a situação vivida por milhares de brasileiros em sua maioria mulheres, que são obrigadas a abandonar suas capitais para buscar uma vida melhor no sudeste do país, deixando de lado suas próprias famílias e individualidades. Por fim é revelado que Jessica tem um filho que deixou em Pernambuco para poder cursar a faculdade, repetindo a história triste de sua mãe, mas o encerramento parece tomar um novo rumo pois Val, abandona o trabalho para se dedicar a filha e ao neto recém descoberto.
Texto: Isabella Urbano.

Glenda Nicácio
Glenda Nicácio, nascida em Minas Gerais e formada em Cinema e Audiovisual na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), fundadora da produtora independente audiovisual Rosza Filmes, também sediada no recôncavo baiano, atua como diretora, produtora e diretora de arte, fortalecendo o cinema em Cachoeira (BA), prioriza os talentos locais para compor o elenco e a equipe.
Glenda é uma importante figura no meio audiovisual, representando a atuação feminina e negra, desenvolve também, uma série de atividades voltadas ao cinema e educação em escolas públicas da região.
Seu primeiro longa metragem, "Café com Canela" estreou em 2017, dirigido em parceria com seu amigo Ary Rosa, o filme participou de circuitos de festivais nacionais e internacionais e entrou em cartaz no circuito comercial com seu segundo longa metragem, também selecionado para um festival nacional.
café com canela (2018)
"Após perder o filho, Margarida vive isolada da sociedade. Ela se separa do marido Paulo e perde o contato com os amigos e pessoas próximas, até Violeta bater na sua porta. Trata-se de uma ex-aluna de Margarida, que assume a missão de devolver um pouco de luz àquela pessoa que havia sido importante para ela na juventude." (fonte: google).
Brasil, 2018, Drama, 1h20min.
Dirigido pela jovem Glenda Nicácio em parceria com Ary Rosa, o filme se trata sobre a dificuldade de continuar seguindo em frente após uma grande perda, se tornando prisioneiro de sua dor e de seu passado, perdendo sua identidade, o amor próprio e aos que estão próximos. Aborda formas de lidar com a morte de uma maneira sutil, mas também pesada, assim como a presença da canela em um café forte.
A história se passa no recôncavo da Bahia, com uma estética simples da periferia e pequenos elementos coloridos em quadros relacionados à Violeta, refletindo sua leveza e alegria de ver a vida. O longa metragem traz toques aconchegantes e nostálgicos em cenas de lembranças registradas em película, a narrativa se compõe pela cronologia não linear durante a montagem e brinca com a mixagem do som, sendo um dos pontos mais positivos do filme, com sons e imagens não vinculados e voice over que estimula a imaginação além do que se vê na tela.
Texto: Luara Patriarca

Leandra leal
Leandra Leal nasceu no Rio de Janeiro e começou a atuar na Tv e no teatro quando era bem nova. Participou de diversos filmes e novelas ganhando prêmios por sua atuação. Em 2016, Leandra assumiu a direção do Teatro Rival e hoje se destaca como um dos fortes nomes da produção cultural no cenário carioca. No total Leandra é atriz, produtora, cantora e diretora, dirigiu o documento Studio SP (2013), dirigiu a série A Vida Pela Frente (2015) e teve seu maior destaque na direção do documentário Divinas Divas (2017).
divinas divas (2017)
“Divinas Divas (2017), de Leandra Leal, conta a histórias das artistas travestis brasileiras, Rogéria, Valéria, Jane Di Castro, Camille K, Fujika de Holliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios, desde quando iniciaram nos palcos, nos anos 60, até que nos anos 70 formam um grupo que pôde vivenciar a época mais gloriosa da Cinelândia repleta de filmes e teatros. Nesse documentário, as divas se reencontram para eternizar suas carreiras por meio de um show no teatro Rival.” (fonte: adaptado do google).
Brasil, 2017, Documentário, 1h50min.
As estórias de amor e como superaram obstáculos nos relembra que esses assuntos ainda são debates nos dias de hoje. Nem só de glamour viveram essas mulheres, e tudo é mostrado: como foi difícil, para algumas, a luta de aceitação da família, ou como a família foi importante na construção de quem são; da não aceitação do Estado,e como foram censuradas; e como isso afetou suas próprias aceitações. Tanto que a narrativa é clara com relação a dúvidas que elas carregam até hoje, como por exemplo, não saber dizer se pode se considerar gay, mulher ou artista/dragqueen (termo, inclusive, que não foi usado por nenhuma delas, e sim “travesti”).
O foco nos espelhos enquanto o rosto recebia a maquiagem, dão vista para o quanto são detalhistas, e que levaram sua profissão tão a sério quanto qualquer outro profissional. Leandra conseguiu captar a dor, a emoção, as incertezas, e a beleza de cada uma, e nos faz perceber que conforme o tempo, as mulheres trans deixaram de ter espaço na arte, e continuam sendo alvo do preconceito na sociedade. Sua montagem deu lugar às divas de forma que elas se sentissem acolhidas e lembradas, não bastando só o show, mas sim a câmera focada nelas.
Mulheres comuns fora do palco. Algumas casadas, outras viúvas, algumas que se dedicam à família. O documentário é mais um exemplo de como podemos dar voz a quem não tem vez. E ouvir quem tem muito a nos ensinar.
Texto: Eduarda Viana
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Petra Costa
Nascida em Belo Horizonte, Petra mudou-se para São Paulo quando ainda era um bebê. Mestre em Comunidade e Desenvolvimento pela Escola de Economia de Londres, Petra Costa começou no mundo do cinema a partir de alguns curtas-metragens e seu primeiro longa foi Elena (2012), sobre a viagem de sua irmã mais velha a Nova York, o filme foi aclamado pela crítica, recebeu dezenas de prêmios e foi o documentário mais assistido no Brasil em 2013. Também dirigiu obras como Olmo e a Gaivota (2014); Ninguém Está Olhando (2017); e recentemente concorreu ao Oscar com o documentário Democracia Em Vertigem (2019).
democracia em vertigem (2019)
“Um alerta em tempos de democracia em crise, o documentário Democracia em Vertigem combina o pessoal e o político para explorar um dos momentos mais dramáticos e turbulentos da História do Brasil.
Com amplo acesso aos presidentes Lula, Dilma e Bolsonaro, Petra Costa (Elena, 2012) também revisita a complexa trajetória de sua família para tentar entender o país rachado em que se encontra. ” (Fonte: www.demoracriaemvertigem.com.br).
Brasil, 2019, Documentário, 2h02min.
Em Democracia em vertigem vemos o entrelaçar da vida da família da diretora Petra Costa com a política brasileira e como existem consequências do ativismo político tanto para uma família que sobre pressão/boicotes, como para um país que baseado em argumentos ilegais e fake news depôs a primeira presidente de sua história.
Seu filme é bastante didático e cobre um período de mais de 40 anos de história nacional. Suas imagens de arquivo e a maneira poética de seu texto tornam a película melancólica e dá ao expectador uma ideia de proximidade, em contraponto, são ressaltadas visões aéreas de Brasília que em sua grandiosidade nos transmite isolamento/solidão tal como um castelo, onde os políticos e empresários bolam seus jogos de poder à bel prazer.
Em um ritmo compassado e com transições suaves Petra Costa nos revela que o egoísmo e a ganância política conduzem nossa nação à extrema polarização. Explica como isso impacta vidas e como foi difícil lutar pela democracia que aos poucos de desmantela.
Percebemos por seu prisma que o equilíbrio de um sistema pode ser muito frágil e exige fiscalização, bom sensos popular e as vezes até uma menina rica pra contar sobre o que é importante lutar para ter o mínimo de justiça política e social no Brasil.
Demoracia em Vertigem de Petra Costa acumula uma série de êxitos, desde uma indicação ao Oscar de Melhor Documentário em 2020 até sua participação na seleção de Sundance em 2019 sendo extremamente representativo e relevante para qualquer brasileiro de qualquer idade assistir e refletir. É um filme de emancipação política, luta por justiça e um antídoto à criação de massa de manobra e extremismo que ameaça o país.
Texto: Sonny Lima.

Vera Egito
Vera Egito nasceu na cidade de São Paulo e estudou Comunicação na Universidade de São Paulo (USP). Ocupou diferentes funções em sua carreira no audiovisual, tendo destaque como roteirista em projetos como “Serra Pelada” (2013), “Elis” (2016) e “Todas as Canções de Amor” (2018).
Como diretora, estreou com curtas-metragens como “Espalhadas Pelo Ar” (2007), “Bond” (2009) e “Na Trilha da Canção” (2013). Atuou como diretora/roteirista no longa-metragem “Amores Urbanos” (2016), que é autobiográfico. É a idealizadora da série brasileira “Todxs Nós”, de 2020.
AMORES URBANOS (2016)
“Três amigos, Diego (Thiago Pethit), Júlia (Maria Laura Nogueira) e Micaela (Renata Gaspar) estão no auge de suas vidas, revelando suas personalidades, experimentando desilusões amorosas e procurando a carreira ideal. Eles moram no mesmo prédio de São Paulo e compartilham diariamente suas experiências, fracassos e conquistas. Rindo ou chorando, eles estarão juntos.” (fonte: adorocinema).
Brasil, 2016, Comédia/Drama, 1h35min.
O único longa-metragem da diretora e escritora Vera Egito é um retrato da juventude de classe média do século XXI da capital paulista, tendo sua narrativa focada em seus problemas amorosos, suas superficialidades, as baladas noturnas e as dificuldades financeiras. Entre apartamentos, festas e escritórios, acompanhamos como a união dos três amigos é um vínculo essencial para a superação das barreiras de suas realidades. Realidades estas que trazem como plano-de-fundo temas contemporâneos e ainda relevantes para nossa sociedade.
Júlia nos convida a refletir sobre os problemas da gravidez precoce, da inconstância da vida de solteira, das dificuldades na construção de uma carreira na vida profissional, bom como das consequências dos privilégios de receber auxílio financeiro de seus pais; Diego é um retrato da vida boemia, do jovem inconsequente e de como tudo isto é um reflexo de um passado conturbado; em Micaela se exploram as nuances de um relacionamento homoafetivo, com a problemática específica de que sua parceira se recusa a “sair do armário”, trazendo indagações sobre limites, reciprocidade, manipulação e o medo de aceitação em uma relação lésbica.
Alternando entre um viés ora cômico, ora dramático, Vera Egito constrói uma história recheada de bons exemplos sobre as nuances do relacionamento moderno (de forma inclusiva, sendo Diego e Micaela representantes da comunidade LGBT), em um filme que é acima de tudo uma celebração da amizade em tempos de apatia.
Texto: Lucas Behrmann.

Laís Bodanzky
Laís Bodanzky, nascida em 1969, na cidade de São Paulo, diretora, produtora e roteirista em seus 18 anos de carreira, participou em torno de 15 produções entre curtas e longas metragens, séries e documentários.
Sua primeira produção foi o premiado curta metragem "Cartão Vermelho", lançado em 1994, mas seu reconhecimento no cinema foi dado pelo seu primeiro longa metragem estreado em 2001, "Bicho de 7 Cabeças", conquistando diversos prêmios.
Por mais de uma década coordenou projetos sociais relacionados ao audiovisual e atualmente atua como diretora-presidente do Spcine empresa que regula e estimula a produção audiovisual da cidade de São Paulo.
BICHO DE 7 CABEÇAS (2001)
“O relacionamento entre Wilson e seu filho Neto está cada vez pior. A situação entre os dois chega ao seu limite, até que o pai decide internar o filho em um manicômio, onde o rapaz enfrenta condições terríveis de tratamento.” (fonte: google).
Brasil, 2001, Drama, 1h14min.
Baseado no livro autobiográfico “Canto dos Malditos” de Austregésilo Carrano Bueno e dirigido por Laís Bodanzky, o longa-metragem retrata através do elemento sensorial toda a injustiça e violência vivenciada pelo protagonista. A figura paterna conservadora e autoritária dá início à incompreensão e repressão sofrida por Neto, essas que tomaram proporções ainda maiores, potencializadas pela negligência médica, quando Neto foi enganado pelo pai e internado num manicômio.
Tendo o interior do personagem como maior referencial, é possível ver sua degradação até se tornar irreconhecível e quase incapaz de manter sua própria existência, mostrando mais uma vez como o mundo ao seu redor não está preparado para entender tal situação. Além da incrível atuação de Rodrigo Santoro, o filme também conta com canções de Arnaldo Antunes, que destaca toda a melancolia e agonia retratada, alertando a uma importante crítica ao sistema psiquiátrico brasileiro e deixando a reflexão sobre o universo existente no interior de cada ser humano.
Texto: Luara Patriarca.

Gabriela Amaral
Gabriela Amaral Almeida, 39 anos, nasceu na cidade de São Paulo, SP. Formou-se em Comunicação pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) em 2003, se especializando em literatura e cinema de horror na pós-graduação. Forma-se em roteiro em 2007 na Escuela Internacional de Cine y TV (Eict), em San Antonio de los Baños, Cuba.
Deu início a sua atuação como diretora e roteirista na produção de curtas-metragens como “Náufragos” (2010), “Uma Primavera” (2011), “A Sutil Circunstância” (2011), “A Mão Que Afaga” (2012) – que foi premiado no Festival de Gramado e indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro –, “Terno” (2013) e “Estátua!” (2014).
Estreou nos longas-metragens com “O Animal Cordial” (2017), protagonizado pelo ator Murilo Benício, aclamado pela crítica e garantindo maior visibilidade para a diretora, seguido por “A Sombra do Pai” (2018), ambos produzidos por Rodrigo Teixeira (RT Features).
O ANIMAL CORDIAL (2018)
“São Paulo. Inácio (Murilo Benício) é o dono de um restaurante de classe média, por ele gerenciado com mão de ferro. Tal postura gera atritos com os funcionários, em especial com o cozinheiro Djair (Irandhir Santos). Quando o estabelecimento é assaltado por Magno (Humberto Carrão) e Nuno (Ariclenes Barroso), Inácio e a garçonete Sara (Luciana Paes) precisam encontrar meios para controlar a situação e lidar com os clientes que ainda estão na casa: o solitário Amadeu (Ernani Moraes) e o casal endinheirado Bruno (Jiddu Pinheiro) e Verônica (Camila Morgado).” (fonte: adoro cinema).
Brasil, 2018, Suspense/Terror, 1h38min.
O filme de estreia da diretora Gabriela Amaral com longas-metragens contou com nomes de peso em sua equipe. Produzido por Rodrigo Teixeira (RT Features) e com figuras já conhecidas das novelas televisivas em seu elenco, como Murilo Benício (que interpreta o protagonista Inácio) e os atores Irandhir Santos e Luciana Paes, o projeto é bem-sucedido ao apresentar um thriller de horror autêntico, no qual a diretora/roteirista emprega um estilo próprio de tensão social e violência gráfica, que também estarão presentes em suas obras seguintes.
Com uma ambientação simples, a narrativa se desenrola inteiramente no interior de um restaurante, apresentando três ou quatro cenários ao todo, dando espaço para que a fotografia e o design de som sejam elementos centrais na construção da tensão narrativa. A metamorfose do protagonista Inácio – que vai de um patrão/dono de restaurante frustrado a um verdadeiro maníaco psicopata – é a cereja do bolo neste longa e revela uma atuação surpreendente de Murilo Benício, que é alavancada pelo ótimo trabalho dos atores coadjuvantes. As atuações e o preparo de elenco são, sem dúvidas, o ponto forte do filme.
O roteiro também é construído inteligentemente, alternando entre uma camada narrativa construída para possibilitar diversas cenas de violência, sangue e assassinatos (um prato cheio para apreciadores do gênero), e uma camada crítica, mais subjetiva, com reflexões acerca de desigualdades sociais e das relações interpessoais no ambiente de trabalho. Com “O Animal Cordial”, Gabriela Amaral surge como uma figura criativa e perspicaz do cinema nacional, defensora de um gênero que recebe pouca atenção em nossa filmografia, se tornando, portanto, digna de atenção.
Texto: Lucas Behrmann.

Adélia Sampaio
Adélia Sampaio nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais. Mudou-se para o Rio de Janeiro com a família aos 4 anos. Deu início a sua ligação com o cinema trabalhando como telefonista na empresa Difilm, distribuidora cinematografia, onde organizou cineclubes e passou a ocupar funções diversas na produção de filmes, como maquiadora, câmera, montadora e continuísta. Dirigiu o curta-metragem “Denúncia Vazia” em 1979 e se tornou a primeira diretora negra do Brasil a realizar um longa-metragem com “Amor Maldito” em 1984, no qual também foi roteirista (junto com José Louzeiro) e produtora.
AMOR MALDITO (1984)
“Duas jovens mulheres, Fernanda, uma executiva, e Sueli, uma ex-miss, se apaixonam e decidem morar juntas. Porém, Sueli se cansa do relacionamento amoroso que leva com Fernanda e envolve-se com um jornalista. A moça engravida do amante e ele o abandona. Em desespero, Sueli se atira da janela do apartamento de Fernanda, que passa a ser acusada de homicídio.” (fonte: adoro cinema).
Brasil, 1984, Drama, 1h16min.
Amor Maldito é o primeiro longa-metragem nacional dirigido por uma mulher negra, a mineira Adélia Sampaio, que também escreveu o roteiro do filme (em conjunto com José Loureiro). O enredo é focado na morte de Sueli, que se suicida ao se atirar da janela de um apartamento, e o consequente julgamento de sua amiga Fernanda, suspeita de tê-la assassinado.
Ambientado em dois tempos, acompanhamos o julgamento de Fernanda dentro de um tribunal, durante o qual os diversos relatos das testemunhas incidem em “flashbacks” do passado das personagens e suas relações. É através dessas memórias que descobrimos que Fernanda e Sueli eram amantes, revelando uma temática LGBT, sendo esta relação incisivamente criticada pelo promotor de acusação durante todo o filme – uma crítica voraz à moralidade cristã das instituições brasileiras e à homofobia presente em nossa sociedade.
Além da relevância de sua realização, sendo um dos poucos exemplos de inclusão e diversidade nas produções brasileiras, a película de Adélia Sampaio é também uma defesa ao amor livre e homoafetivo, sensível na demonstração de legitimidade deste sentimento e o contrastando com a hipocrisia de uma sociedade preconceituosa e hipócrita.
Texto: Lucas Behrmann.

Juliana Rojas
Juliana Rojas, 38 anos, nascida em Campinas, São Paulo e formada em Cinema na Escola de Comunicação e Artes da USP, ainda na universidade conheceu o diretor Marco Dutra, iniciando uma parceria a qual já resultou em dois prêmios, quatro indicações para premiações e uma mostra do Festival de Cannes.
Em nove anos de carreira, dirigiu em torno de 10 filmes, entre curtas e longas metragens e participou em torno de outras 14 produções, entre filmes, séries e documentários, algumas como roteirista e outras na equipe técnica.
Juliana tem destaque no gênero de suspense e terror nacional, sendo sua primeira produção o curta metragem "Lençol Branco", lançado em 2004 e seu primeiro longa metragem "Trabalhar Cansa", que foi estreado em 2011 e está presente no catálogo de nossa mostra.
TRABALHAR CANSA (2011)
"Acontecimentos inexplicáveis assustam uma mulher (Helena Albergaria) e seu marido (Marat Descartes) no supermercado que acabaram de comprar". (fonte: google)
Brasil, 2011, Drama/Terror, 1h39min.
Estreado em 2011 e dirigido por Juliana Rojas e Marco Dutra, uma dupla de destaque no suspense e terror nacional. O enredo não apela ao drama novelesco, se baseando principalmente num ambiente misterioso e utiliza sucessões de imagens que induzem a dedução para a narrativa, não precisando verbalizar tudo ao espectador.
O longa metragem enfatiza diversas áreas do mercado de trabalho e seus esforços, como trabalhadores de obra, funcionários de um pequeno mercado, o empreendedorismo, e as relações entre patrões e funcionários, principalmente através do papel da empregada doméstica e a filha de sua patroa. E não menos importante, o pesadelo de todo trabalhador, o desemprego.
Representando principalmente a classe média e suas inseguranças profissionais e financeiras, é a partir da protagonista Helena, que coisas sobrenaturais começam a acontecer em seu novo investimento, com seus fantasmas perturbando-a constantemente e agravando as tensões trabalhistas. O filme apresenta potencial para ser mais desenvolvido, mas contém sua mensagem a ser passada.
Texto: Luara Patriarca.